Empoderamento Feminino no Rotary Internacional: Uma Jornada Rumo à Equidade de Gênero
O Rotary Internacional, fundado em 1905, tem atravessado uma jornada significativa rumo à inclusão e diversidade. Historicamente foi predominantemente masculino, o Rotary evoluiu para abraçar a participação feminina e reconhecer seu valor como agentes de mudança. Um marco nesse processo foi Admissão de mulher aos Rotary Clubs do mundo inteiro! Decidido por votação na reunião do Conselho de Legislação de 1989.
Nesse contexto, destacamos a figura de Isabela Castro de Castro, cujo papel tem sido crucial na promoção do Empoderamento Feminino dentro e fora do Rotary Santos Boqueirão D 4420.
Com uma carreira jurídica impressionante, Isabela se destaca como Conselheira Estadual da OABSP e Presidente da Comissão Estadual da Mulher Advogada - OABSP. Além disso, sua atuação na Comissão Nacional da Mulher Advogada da OAB e no Instituto Brasileiro de Direito de Família - IBDFAM Santos, demonstra um compromisso profundo com a igualdade de gênero e justiça social.
No Rotary Internacional, Isabela assume um papel de liderança como Presidente Fundadora do Rotary Santos Boqueirão D4420. Sua visão tem sido fundamental na implementação de iniciativas voltadas para o Igualdade de gênero e inclusão de mulheres em cargos de liderança. Projetos como "POSSO!", visam capacitar meninas e mulheres em comunidades vulneráveis, promovendo acesso à educação, saúde e oportunidades econômicas.
Em uma entrevista, tivemos a honra de conversar com Isabela de Castro sobre seu trabalho e experiência no Empoderamento Feminino:
P: Como Presidente da Comissão Estadual da Mulher Advogada na OABSP e membro de várias outras organizações voltadas para os direitos das mulheres, pode nos falar sobre o trabalho realizado por essas organizações e os principais desafios enfrentados?
Atualmente concilio a vida profissional em meu escritório de advocacia cível com atividades institucionais na OABSP na condição de Conselheira Estadual e Presidente Estadual da Comissão das Mulheres Advogadas da OABSP, além de ocupar outras posições junto a entidades de estudos de direito de família e sucessões e de protagonismo feminino.
Entre essas atividades, destaco que através da OABSP firmamos em 2022 o compromisso com o “Movimento Elas Lideram” promovido pela ONU Mulheres e lá me tornei o ponto focal da ONU mulheres junto a OABSP. Essa parceria com a ONU vem nos proporcionando muitos ensinamentos e nos alimenta com dados atualizados sobre as questões econômicas e profissionais do universo feminino que divulgamos em reuniões, palestras e rodas de conversa.
Os desafios enfrentados pelas mulheres são inúmeros e são diários. Nossa sociedade é fundada no modelo patriarcal e por conta disso são impostas muitas barreiras para a inclusão e desenvolvimento pessoal, profissional e político da Mulher. Essas barreiras geram conflitos e dificultam a ascensão feminina em diversos níveis e áreas.
P: Quais são suas principais inspirações profissionais e como elas influenciam sua atuação no Rotary?
Registro que toda essa atuação em prol do empoderamento feminino começou por conta da minha experiência como presidente fundadora do Rotary Santos Boqueirão, D 4420, um clube fundado em 2006 ao final da gestão do EGD Marcelo Haick com o propósito de incluir mais mulheres no mundo rotário. Inicialmente o clube era composto por 34 companheiros, sendo 33 mulheres e apenas 1 homem. Foi desafiador. Hoje o clube é composto por 79 mulheres e se consolidou como uma referência no distrito.
Através dessa experiência despertei para a necessidade e a importância de promover a inclusão da Mulher no mundo rotário e na sociedade em geral e comecei a estudar sobre o “Feminismo” que é o movimento que defende a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres e que ainda é visto com muito preconceito pela maioria da sociedade.
P: Como advogada da OAB e líder no Rotary, como você equilibra suas responsabilidades em ambas as áreas e como você utiliza seus conhecimentos jurídicos para promover os objetivos e iniciativas do Rotary, especialmente relacionadas ao Empoderamento Feminino?
Entendo que na dinâmica do mundo moderno o conhecimento técnico na área de atuação profissional não é mais suficiente para uma performance de destaque. É necessário abrir os horizontes para enxergar o mundo com lentes de interseccionalidade e assim oferecer ao cliente uma assessoria qualificada com um olhar multidisciplinar, independente de qual seja sua área de atuação.
Na minha vivência em Rotary, o conhecimento jurídico foi fundamental para estruturar a fundação do Rotary Santos Boqueirão em base sólida de forma ordenada e para lançar o projeto HPV em um modelo consistente que persiste até os dias de hoje. Em contrapartida, a experiência da fundação do clube me inspirou e norteou na fundação de outros grupos de estudos e de trabalho e me tornou uma advogada mais completa e mais experiente.
Fato é que, no meu ponto de vista, a atividade profissional, a atividade institucional e o voluntariado se complementam, agregam valor reciprocamente e como resultado ampliam meu universo de modo significativo.
P: Como a educação de gênero, através de projetos como o "POSSO!", tem sido integrada às atividades do Rotary para promover a igualdade e o empoderamento feminino?
Tendo em perspectiva os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável – ODS propostos pela ONU e a consciência de que um clube feminino pioneiro como o RC Santos Boqueirão deveria liderar e implementar políticas de DEI – Diversidade, Equidade e Inclusão junto à comunidade, decidimos criar o projeto POSSO!
Idealizado no mesmo padrão inicial do projeto HPV, o POSSO! é um projeto de educação que visa discutir questões de gênero para romper tabus, criar paradigmas e conscientizar as Mulheres sobre todos os tipos de violência, assédios e preconceitos que podem limitar sua existência. A partir do empoderamento é possível romper ciclos de violências, ressignificar experiências familiares passadas e investir na independência emocional e financeira.
P: Poderia compartilhar algumas das iniciativas que o Rotary Santos Boqueirão está implementando para promover o Empoderamento das Mulheres em sua comunidade, como o projeto "POSSO!"?
O projeto “POSSO!” de educação de gênero foi lançado no início de março de 2020 e por conta da pandemia teve sua concepção inicial alterada. Apesar das adversidades seguimos persistentes realizando encontros de conscientização de forma virtual e realizando campanhas em mídias sociais. Numa parceria com a Associação de Médicos de Santos, participamos de algumas reuniões do projeto Menina Mãe que oferece assistência e orientação a meninas que se tornam mães antes dos 18 anos. Também promovemos rodas de conversa entre os membros do clube que tem afinidade com o projeto para que essas companheiras se tornem multiplicadores conscientes do empoderamento feminino.
P: Qual é o impacto do programa do Rotary Internacional de "Empoderamento de Meninas" e como você está envolvida nesse aspecto?
Por conta de ter sido a presidente fundadora de um Rotary clube majoritariamente feminino e por ter idealizado e implementado o projeto POSSO! fui convidada a ser Embaixadora Assistente no programa de RI que incentiva os clubes a fomentarem programas e ações de empoderamento feminino junto a suas comunidades.
P: Olhando para o futuro, quais são seus planos e aspirações para continuar promovendo o empoderamento feminino no Rotary e garantir que esses projetos continuem a gerar resultados positivos?
Na gestão 2024-25, sob a liderança do Governador Marcelo Marsaiolli, teremos uma comissão de Empoderamento Feminino que irá promover ações de conscientização sobre a importância da Igualdade de Gênero visando colaborar com a agenda 2030 da ONU. Tendo em vista que o Rotary é um clube de servir composto por profissionais, daremos enfoque especial às questões de liderança e participação feminina em áreas de negócio, discutindo as vantagens da participação feminina nas diversas áreas e níveis profissionais para assim promover o empoderamento feminino e combater as diversas formas de violência contra a mulher que permeiam nossa sociedade. Acredito que a educação é a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, harmoniosa e igualitária e o Rotary pode e deve ocupar um papel de protagonismo nesse desenvolvimento social.






